A moda do 'arrasta'

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Pronto..., virou moda! Agora, quase td semana a gente dá conta de alguém que, depois de ser assaltado ou sequestrado, é arrastado por metros e metros. Gente, só de ler esse tipo de notícia, já me dá arrepio.

E eu sinto isso, pq é fácil de perceber como td está entrando num ritmo muito louco. Hoje, é quase impossível sair de casa e não ter medo de ser abordado por algum desconhecido querendo levar o que você conseguiu com tanto esforço. Medo também de não acabar como o João Hélio ou essa enfermeira que foi arrastada por cerca de 150 metros e acabou morrendo.

Desse jeito, onde é que a gente vai parar!? Essa é uma pergunta que eu me faço td dia, sabe!? E tb não tem como ser de outro jeito. De alguns anos pra cá, fica quase impossível negar que as pessoas entraram numa freqüência tão acirrada por querer td, que acabam fazendo, digamos, loucuras pra conseguirem alcançar o que desejam.

Então..., o que fazer!? Construir mais presídios!? Aplicar pena de morte!? A população ficar mais tempo trancafiada em casa!? O que fazer!?

Nessas horas, milhões de soluções mirabolantes surgem e promessas são feitas. Porém, pouco se discute de forma aprofundada e com embasamento viável para a execução de ações substanciais. Então..., o que fazer!?

Creio que, primeiro, seria interessante que ao invés de a mídia veicular essas notícias sensacionalistas que só mostram o crime em si, ela poderia apontar as tais soluções sem nd de 'mirabolância'. A abertura que emissoras de tv como a Rede Globo tem no nosso país permite isso, mas o problema é que muitas dessas mídias não querem evitar essa onda de 'arrasta' que vem crescendo diariamente. E não querem evitar porque é prejudicial em termos de IBOPE. Desgraça e morte chamam a atenção popular.

Além do que já disse, não vou ficar aqui apontando meios e medidas que devem ser inicializadas, mesmo pq não é a isso que me proponho. Só quero deixar meu protesto de que acho um absurdo nos deparármos com esse tipo de situação.

Td é uma pena! E, por hora, só nos resta vestir o luto!
BdeCastro.

O frenesi do consumismo

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Pernas, pés, braços e mãos alucinadas. A loucura para comprar as tentações dos shoppings me era visivelmente notada numa certa tarde de sábado, em Fortaleza. Pessoas entrando e saindo, crianças chorando e pedindo. Tudo conspirava para mais um final feliz do comércio. Os preços, apesar de não emitirem nenhum som, nenhum ruído, faziam com que o alarde fosse maior, quase ensurdecedor. Mas os sujeitos ativos da situação sequer reparavam no entra e sai. Deliravam demais para se ocuparem com outras pessoas que também estavam ocupadas demais com os mesmos desafios de aquisição ao máximo em condições inacreditáveis de pagamento.
A cada segundo, o número de possíveis compradores aumentava e, proporcionalmente, o zunido também. Mais pessoas procuravam por ofertas e promoções de última hora para não saírem, pelo menos, sem uma ‘lembrancinha’ para o filho, sobrinho ou para elas mesmas. Os poucos que observavam ‘de fora’ e se davam ao trabalho de reparar na movimentação, só tinham duas opções: ou analisavam o frenético vai e vem, vez por outra dando risadas de determinadas situações, digamos, inusitadas, que facilmente são percebidas em locais de grande concentração; ou aderiam à moda de comprar, comprar e comprar. Mais uma vez tudo conspirava a favor do final feliz do comércio.
No início, era por volta de duas da tarde. Agora, já passava das cinco e a diversão de antes se tornava algo para ser observado com cautela. Eu continuei lá, na entrada do shopping, olhando e analisando alguns dos passos que corriam em direção às vitrines. Era engraçado, porque muitas vezes eu me via naquelas pessoas, loucas por tudo o que era possível de ser comprado, levado pra casa e mostrado a todo mundo. E me via não por acaso, mas por pura loucura minha também, que cansei de subir e descer escadas, entrar e sair de lojas com produtos-tentação. O tempo ia rapidamente e sempre que olhava no relógio me dava conta que tinham se passado várias horas desde que resolvi sentar ali para tentar descobrir o porquê de tanto alarde. Na última vez que olhei pro pulso, as horas marcavam quase nove da noite, e o frenesi continuava como se houvesse nada do lado de fora do shopping. As pessoas continuavam entrando e saindo com sacolas e mais sacolas na mão e sempre pedindo mais para si e para os acompanhantes.
Finalmente, a voz do além existente em todo shopping anunciou que as lojas seriam fechadas dentro de uma hora. E eu permanecia lá, de fora, só observando. E as pessoas disputando preços e melhores condições de compra. Como que mágica, os ponteiros alcançaram as dez da noite e, aos poucos, famílias inteiras, grupos de vários modelos e algumas pessoas solitárias saíam da grande estrutura de metal e concreto feita exclusivamente para que o verbo gastar se materialize. Todas ou grande parte com um olhar de satisfação e desejo quase saciado, mas sempre com o discurso de voltar depois para realizar mais ‘sonhos de consumo’. Eu, vendo que não dava mais para acompanhar o embalo e comprar o que restou, já que a famosa voz do além anunciou o fechamento do shopping, voltei pra casa. No caminho pensei: “e o comércio foi feliz para sempre...”.

BdeCastro.

Trocado abençoado

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ontem, o desfecho de uma cena me chamou atenção!

Estava eu no trânsito, esperando o sinal abrir, quando, de repente, um daqueles meninos com o rodinho na mão pra limpar o vidro do meu carro.

Não sou muito adepto a essa moda, mas decidi ver até onde a história ia. Bem...o tal garoto fez o serviço, veio em minha direção e logo pediu um trocado. Eu também deicidi ver até onde isso ia, e, pra minha surpresa, o gesto que o garoto fez me deixou a certeza de que tinha feito a coisa certa em dar aquele dinheiro.

Assim que colocou as moedas no bolso, o menino ergueu as mãos e fez o sinal da cruz em agradecimento pelo trocado recebido. O trocado que, pra mim, não tinha tanta importância, mas que pra ele era essencial.

Daí, eu fico pensando em tanta gente que tem tudo e só vive de reclamar. Reclama porque não comprou o cd do momento, reclama porque ainda não tem aquela calça que todos os colegas têm, reclama porque passou o fim de semana viajando, mas queria mesmo era estar em fazendo compras...Enfim, reclama de tudo simplesmente pelo prazer de reclamar.

Acho que o remédio pra essas pessoas seria um dia de trabalho duro no sinal com o rodinho na mão esperando o sinal abrir pra limpar o vidro dos carros alheios. Talvez dessa forma elas abrissem os olhos pra coisas mais importantes na vida - coisas que muitas vezes a gente não percebe, como a força que simples moedas têm na vida de outra pessoa.

Ainda bem que decidi dar os tais trocados. Ajudei alguém e vi que consegui mudar o destino do garoto. O problema é quando isso se torna um vício..., mas aí já é outra história.

BdeCastro.