
Quero ocupar o espaço deste blog hoje para falar de um assunto que muito me preocupa:
a formação familiar. E toco nesse assunto não por acaso. Ontem, depois de chegar do trabalho, presenciei (pelo menos auditivamente)
uma discussão entre mãe, filhas e pai, vizinhos lá de casa. Acho que nunca ouvi tantos
absurdos num período tão curto de tempo.
Só para você entender: a família começou a ficar
emocionalmente desestabilizada depois que a mãe perdeu um filho recém-nascido há alguns anos, devido a problemas cardíacos. Pois bem, de lá pra cá, quase todo dia podemos ouvir uma discussão agressiva diferente.
Na de ontem,
a mãe reclamava que a filha mais nova a excluía de tudo, que não a convidava para as reuniões de escolas, que não fazia questão de sair com ela e outras coisas do tipo. Por isto, travou uma verdadeira guerra. Chamava a menina de
vagabunda, dizia que depois que a teve
a vida dela virou um inferno, que a menina só amava ao pai e um monte de outras baboseiras do tipo de quem não conseguiu superar a perda do "bambino".
Ouvindo a discussão, eu comecei a me questionar como essa adolescente (a filha mais jovem) consegue viver numa
casa tão conturbada como a dela. Como será que esta menina está desenvolmento a
consciência crítica de mundo dela? Só de pensar me dá arrepio. Fico imaginando como ela pode
se tornar uma pessoa amarga pelo fato de a mãe não ter conseguido se realizar com a chegada de mais uma criança. E o pior é que, em casos como esse, quase nada pode ser feito. Até já pensei em
denunciar o caso pro conselho tutelar ou alguma entidade do ramo, mas confesso que
tenho receio de acabar invadindo uma privacidade que não está ao meu alcance.
Sei que isso pode até soar como covardia, mas é que realmente eu encaro tudo de um ponto de vista delicado, que pode
interferir diretamente na vida dessa garota. Tenho medo de denunciar, ela ser tirada de casa e acabar sofrendo um trauma ainda melhor.
Enfim..agora, só posso pedir que a hora do discernimento chegue o mais rápido possível!
BdeCastro.